Alô, Chics!

Anônimos e furiosos

Alô, Chics!

A foto da atriz Adriana Birolli sem maquiagem e de cabelos molhados postada no Instagram por Marco Antonio de Biaggi, minutos antes dele fazer nela um novo corte, deu espaço para que dezenas de pessoas entrassem no ar com comentários violentos e insultuosos.

Quem é essa gente raivosa que tem se manifestado tão livremente na Internet contra tudo e contra todos? Será que eles se dão conta de que, eventualmente, podem ser rastreados e que seus posts podem ser considerados criminosos?

Basta um pouco de sensação de anonimato para que algumas pessoas se sintam livres para soltar o que tem de pior dentro de si. Foi a sensação do anonimato que fez a moça gaúcha se juntar ao coro de “macaco” contra o goleiro do Santos; é essa mesma sensação de impunidade que faz linchadores matarem pessoas, como aconteceu com a dona de casa do Guarujá.

A Internet está evidenciando um lado B do ser humano, até então desconhecido (ou sem oportunidade de se manifestar): o ódio, muitas vezes gratuito, que o “Outro” provoca sem que faça nada para isso: seja uma celebridade que aparece sem maquiagem, ou uma menina blogueira que esteja dando dicas de moda, ou mesmo um monge passando mensagens de boa vontade. Todos - indistintamente - acabam sendo atingidos por comentários raivosos, quando não ameaçadores.

Chico Buarque disse uma vez que só depois da Internet é que ele se deu conta de que havia gente que não gostava dele! Claro; até então só fã chegava perto para elogiar e falar bem. Ninguém ia se aproximar para, cara a cara, dizer desaforos.

Psicanalistas, advogados, sociólogos: uma avaliação e um diagnóstico se fazem necessários para explicar essa doença moderna e repulsiva.

 

Gloria Kalil

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