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Cosméticos com óleo de tartaruga prometem alto poder de hidratação; comercialização deve ser autorizada pelo Ibama

O óleo de tartaruga, extraído da gordura do animal, está sendo usado para produzir cremes para pele e cabelos. A comercialização deste produto é legalizada no Brasil, desde que o fornecedor tenha autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). É o caso do criador de tartarugas José Roberto Ferreira Alves, que tem uma fazenda com mais de 27 mil animais em Araguapaz, Goiás.

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A sugestão de criar as tartarugas da Amazônia partiu do próprio Ibama, que queria evitar a caça ilegal desses bichos para consumo da carne, incentivando então sua produção em cativeiro. José Roberto começou sua criação em 2001 e só em 2013 passou a reaproveitar o óleo para cosméticos. “O primeiro contato para utilizar o óleo da tartaruga veio do RAN (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios) -antigo órgão do Ibama e hoje unidade do Instituto Chico Mendes-, que me indicou para ser fornecedor para a indústria de cosméticos.”

O criador conta que o conhecimento sobre os benefícios do óleo de tartaruga veio dos índios e ribeirinhos da região Norte: “Eles utilizam os produtos para proteção da pele, para os cabelos e também como expectorantes. Porém, não temos comprovação cientifica desta última parte, apenas prática,” diz o criador, que explica ainda que não usam as tartarugas apenas para a extração do óleo. “Somente quando é feito o abate para venda da carne é que aproveitamos o óleo,” enfatiza.

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Além da carne e do óleo, os cascos são reaproveitados para pesquisas. “Já enviamos 200 cascos para a professora Arlene Gaspar, pesquisadora da URRJ, que faz pesquisa com estes cascos sem aproveitamento comercial.”

Por mês são vendidos entre 60 e 100 animais para o consumo da carne, que são abatidos na própria fazenda. “Nossa licença só nos permite vender a tartaruga abatida. Ela autoriza o abate à partir de um ano e meio, porém, nós abatemos somente quando elas estão acima de 4 kg, ou seja, com cinco anos.”

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Sobre a Cotomi, marca de cosméticos feita com o óleo de tartaruga, José Roberto conta que não é todo mundo que aceita bem. “As pessoas ainda têm alguma desconfiança, mas após o primeiro contato, aceitam e passam a ver a qualidade dos produtos.” Atualmente a marca conta com xampu, condicionador, sabonete e máscara de cílios, que prometem alto poder de hidratação.

Segundo José Roberto, todos os cosméticos são testados e aprovados pela Anvisa antes de irem para o mercado e a criação respeita e ajuda o controle de animais. “Os criatórios, diferente do que muitos pensam, ajudam a recuperar a natureza.”
 

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