Eduardo Viveiros

Um ícone: Pharrell Williams

COMO UM HOMEM DOMINOU UM ANO INTEIRO

2014, o ano que não acaba nunca, é o ano Pharrell Williams.

Do esquisito chapéu de montanhista ao grude de Happy, parece que o músico/produtor/estilista/empresário faz tudo certo, com as pessoas certas, na hora certa. Além de ser (ou parecer) um gentleman. Soar política e ecologicamente correto sem bancar cretino. E ter cabeça boa para chapéus, e os dentes mais brancos do showbizz.

Pharrell é a epítome do cool dos anos 2010, resumindo tudo o que o pop deveria ser hoje - e o que Kanye West adoraria ser, mas nem é.

Nas suas mil colaborações com moda, a nova é a parceria com a Adidas Originals, anunciada em março e revelada oficialmente nesta quinta-feira (18.09) - veja em primeira mão, abaixo.

O primeiro pacote (de uma longa parceria) tem versões de couro do agasalho clássico da marca alemã combinados com três cores do tênis Stan Smith. A coleção chega às lojas da marca do rapaz - Billionaire Boys Club - e online em 20 de setembro, mas não (por enquanto) no Brasil.




Em três cores, as jaquetas custam cerca de R$ 3 mil, enquanto os tênis ficam na faixa de R$ 455.






A Adidas é apenas a última de uma longa lista de parcerias que o rapaz acumula. Pharrel já criou joias, óculos para a Vuitton e a Moncler, perfume com a Comme des Garçons, linha de camisetas para a Uniqlo, além de suas marcas próprias, de roupas e tênis.

 

No começo de setembro, na semana de moda de Nova York, também apareceu ao lado da marca de jeans G-Star Raw para anunciar parceria com a Bionic Yarn - outra empresa sua, que recicla plástico retirado do oceano para confecção de tecidos ecorresponsáveis. A tecnologia também aparece na coleção com a Adidas.

Pharrell quer todo mundo, e todo mundo parece querer Pharrell. Mas porquê?



Ei, é raro acompanhar o nascimento de um ícone de estilo, ainda mais no mundo masculino. Pense no último que você viu aparecer. Kanye West, Luan Santana, Justin Bieber? Meteoros da paixão que se empacotam como perfeitos produtos.

Aos poucos, Williams vem ocupando um espaço que estava realmente vago. Ele não chegou agora, mas veio de mansinho - gosta de trabalhar nos bastidores. É um produtor musical, no final das contas. Em 23 anos de carreira (é!), já meteu o dedo na carreira de muita gente. Disco próprio, solo, são apenas dois. E só um deles conta de verdade.

Como rapper, ele tem street cred razoável. Mas circula também pelo alto luxo e por todas as vertentes do pop, já deu rasantes nas artes plásticas ao lado de Takashi Murakami e Marina Abramovic, passou pelo cinema e pelo design de móveis. Aos 40, é feito um Barack Obama só com a parte boa.



Como produtor musical que se preze, Pharrell foi experimentando aos poucos. E soube dar passos 1. calculados e 2. que aproveitassem o momento. Isso explica sua acensão messiânica em 2014.

Pense na primeira grande aparição do ano, em janeiro, no Grammy. Coajduvante da dupla Daft Punk, para quem produzira o álbum ganhador da noite, Pharrell apareceu com figurino bem distante do usual de red carpet: chapéu estapafúrdico, jaqueta esportiva vintage (aka velha), jeans mal-ajambrado e botas desamarradas. E, de longe, era a pessoa mais interessante da noite.



Fosse nos anos 1990, o figurino (que seria repetido no palco do Oscar) teria influência direta no guarda-roupa de muita gente. Mas é 2014, a informação é mais rápida e fragmentada, tudo se resume a uma hashtag e o segredo é ver até onde ela se espalha. O casaco deu na parceria que sai agora. Por sua vez, o chapéu dominou as redes sociais por meses a fio.
 


A cada aparição, uma emoção. Gigantesco e desproporcional, o chapéu de montanhista virou motivo de piada - até ser digerido e virar motivo de respeito. Em tempos de moda masculina sem grandes emoções no mainstream, é preciso ter muita auto-estima para sair com um acessório desses. E botou muito menino da geração Y para pensar em frente ao espelho.

O chapéu é um símbolo também que Pharrell não é bobo. Ele já aparecera com a peça anos antes, mas ali no Grammy era a estrela da noite. Hora de provar que estava pronto para tomar o trono, mostrando que sabie dosar a mistura de moda com cultura de rua.

Por mais esquisito que soe, a influência direta era de Vivienne Westwood. O chapéu faz parte da coleção de verão 1983 da estilista inglesa, uma época em que ela ainda produzia coisas interessantes.





Mas chegou a Pharrell via o marido de Vivienne, Malcom McLaren, que lançou na trilha do desfile o single (e hoje megaclássico) Buffalo Gals, cheio de chapéus de montaria na mala que levaria para Nova York.



Ao lado de McLaren na música, The World Famous Supreme Team, grupo de MCs da Nova York dos anos 1980, e a crew de dançarinos b-boys Rock Steady Crew, que aparece no vídeo e inspirou - de jaqueta & jeans - o look de Pharrell, 30 anos depois. Preste atenção.



Nada é à toa. Ícone que é ícone tem suas raízes. Pharrell não seria diferente.
É só um mero detalhe num plano de dominação mundial do ano que já durou dez.
Ele que aproveite enquanto pode (e pode, não pode?).


#menção honrosa

Atento aos trending topics da sua época, Pharrell também se esforça para se distanciar do passado chauvinista dos rappers e afins. Se declarou feminista (o status quo de 2014 ano, não sem razão), explicou seu disco GIRL como uma ode às mulheres e tem se caminhado nessa vontade.

As feministas hardcore reclamaram. Mas fato é que saiu dessa linha de pensamento, para o single Marilyn Monroe, uma das capas de disco (e imagens de moda) mais bonitas do ano.

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