Eduardo Viveiros

Uma marca: Ratier

SÃO PAULO GANHA NOVA MARCA MINIMALISTA BY RENATO RATIER



"É preto no preto, uma coisa que nem se enxerga direito", define Renato Ratier sobre a fachada de sua nova empreitada. O DJ & produtor, que revirou o cenário das casas noturnas em São Paulo ao abrir o D-Edge há quase 12 anos, volta a trabalhar com moda. 

Na Campo Grande onde começou, no Mato Grosso do Sul, lá nos anos 1990 do começo clubber, Renato chegou a ter duas marcas, além da loja Subculture. Agora, abre uma nova grife que carrega seu sobrenome na etiqueta.

Quem conhece a figura, sabe que Renato tem um estilo de vestir bem marcante. Não é de hoje que ele se mete dos pés à cabeça de preto e cinza, misturando influências de marcas internacionais no circuito de Rick Owens, japonistas e afins. "Não consigo encontrar nada no estilo no Brasil, era uma necessidade que eu tinha", diz ele, com fala calma e atenta.





A Ratier, que abre as portas em 17 de dezembro na alameda Lorena, mete os pés nesse contexto de maneira muito bem-vinda - atrás de um público conectado a uma moda dita vanguardista, que não tem uma loja que os represente no Brasil. Com foco nos rapazes, a primeira coleção tem 70% do mix no masculino.

Mas e esse público, existe?, pergunto.
"As marcas brasileiras não fazem porque não vende. Mas será que não deixam de vender por não fazer?"

Esperta - e moderna -, as peças da Ratier têm todas uma pegada unissex, atrás de meninos que não se importem em usar proproções fora do padrão. E realmente, tudo em preto (com pequenas concessões a cinzas e e crus).






"Estamos procurando a coisa mais bruta e mais orgânica possível, nos tecidos e na concepção da marca", define Renato, em visita à loja ainda desmontada, durante a produção do lookbook da primeira coleção, que ficou pronta em menos de quatro meses.

Em algodões e couro, lãs e linho, as peças seguem uma linha desconstruída, minimalista, sem excessos. Camisetas desabadas, vestidos de modelagem retorcida, tops com aplicação de látex, calças e jaquetas de couro, transparências e texturas.





Mas a abertura da Ratier é apenas o primeiro passo do novo complexo do empresário. O prédio ao lado, com estrutura brutalista desenhada pela dupla Marcelo Rosembaum e Muti Randolph, integra a loja de roupas a um espaço com inaguração prevista para o início de 2015 - incluindo bar, estúdio de música aberto a novas bandas, hotel boutique e o restaurante Bossa, que deve funcionar em esquema 24 horas a partir de março.



2015 deve ver também o braço de Ratier no Rio de Janeiro: um complexo de 2.800 m² na área do recuperado Porto Maravilha que vai abrigar, além de unidades da Ratier e do restaurante, um club à la D-Edge, galeria de arte, estúdio e livraria, além de espaço para a dança e outras mídias. "A ideia é conectar as artes, os públicos, todo mundo tem o que compartilhar".

Ambicioso? Um bocado. Mas Renato parece gostar da ideia. "Quando cheguei em Campo Grande, não tinha nada lá. Montei a loja, o clube, foi criada a situação. Aprendi a plantar no deserto", filosofa, rindo.

Ratier
Alameda Lorena, 2008, Jardins, São Paulo - SP
facebook.com/ratierclothing


 

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