Les Chics

Um papo com Gilles Lipovetsky

O filósofo francês Gilles Lipovetsky está no Brasil para uma série de palestras em várias cidades brasileiras, à convite da Maison du Luxe, e estivemos na ocasião de sua visita em São Paulo, na quinta (21.02). Parece que o conteúdo apresentado é o mesmo de quando ele esteve por aqui em 2012, mas a graça neste caso foi ver de perto a maneira como ele trata o assunto, como fala com as mãos e como faz brilhar os olhos quando faz as conclusões que ele deve ter passado anos costurando dentro da cabeça.

Bem resumidamente, ele divide o atual mercado de luxo em quatro conceitos muito bem marcados, a seguir:
1.    A desregularização do consumo do luxo, que antes era restrito à aristocracia adulta e hoje alcançe em diferentes faixas sociais e etárias. “Luxo antes era uma cultura de classe, requeria boas maneiras, porém hoje é consumido da mesma maneira que produtos populares e sem perder sua legitimidade.

2.    Ao contrário dos emergentes que usam produtos de luxo como vitrine de seu sucesso financeiro de forma ostensiva, há o consumidor emocional, que busca vivenciar experiências mais sofisticadas _não só com moda, mas com perfumes, joias e automóveis, e de modo praticamente erótico.

3.    Para ele ainda vemos uma curva crescente no que diz respeito à democratização do luxo, que antes servia para manter o status quo de uma casta abastada, mas hoje serve para legitimar o prazer (como comprar um tênis de marca, por exemplo), o que determina uma mudança muito grande de pensamento.

4.    Lipovetsky diz que a moda deixou de ser uma fonte de criatividade e que hoje é melhor observada por seu poder de distribuição. Esta indústria, antes baseada essencialmente em criação, segue hoje a lógica da individualização, mas não da originalidade. Segundo ele, compras hoje servem para atender gostos passageiros e não para manter os consumidores na moda.
 

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