Moda

Com peças originais de marcas cobiçadas, o maior outlet do mundo fica na Turquia

Onde está a camiseta de caveira e cristais preta da Ed Hardy que Madonna usou faz um ano? No bacião de R$ 7, soterrada por uma Marc Jacobs (aquela, com a Victoria Beckham nua) e outra by Armani Exchange.

A cena é verídica, mas com uma adaptação monetária: fala-se em 5 liras turcas em vez de R$ 7. É que fica na Turquia o Terkos Pasaji, autobatizado como o “maior outlet do mundo”, que tem 22 lojas mais um sem número de barracas de rua.

Viela da relevante rua comercial Istiklal, a passagem Terkos é uma espécie de bazar oriental que vende, com até 95% de desconto, roupas de grifes como Dolce & Gabbana, Calvin Klein, DSquared, Paper Denim, Pepe Jeans, A Bathing Ape e Replay.

Há também toda a linha da Abercrombie & Fitch e coleções atuais de Zara, Mango, Uniqlo e outras companheiras de fast fashion. A linha de algodão orgânico da H&M, que chegou há um mês às lojas europeias, já saia das araras e ia para a pilha de tecido amarrotado, o chamado “baciões das almas”.

A razão pelo baixo preço - algumas peças são mais baratas do que a burca, traje obrigatório para as muçulmanas radicais - é a produção excessiva. “Fazemos um número de peças 3% ou 4% maior do que as encomendadas dessas marcas. Na maioria das vezes, há sobra e é para cá que esse excesso vem”, diz um dono de loja, que pediu anonimato por acreditar que “as marcas não iam gostar muito de saber dos descontos impraticáveis” - atualmente, 13,6% das roupas vendidas em Milão, Paris e toda a União Europeia são “made in Turkey”, segundo dados do secretariado de exportações do setor têxtil da região de Istambul.

E, de acordo com informações divulgadas no site da Comissão Europeia, só em 2009, foram US$ 6 bilhões em exportações derivadas de algodão - essa cifra não conta as peças oferecidas na Terkos Pasaji que, por falta de qualidade ou exagero de manufatura, nem saíram do país e, por isso, fogem do controle das marcas.

Um segundo empresário do outlet garante que as grandes marcas sabem do saldão permanente, mas fazem vista grossa. “O consumidor dessas roupas não vem para cá, então não lesa o negócio dos europeus”, defende.

Mas o que pode agradar a um consumidor mais afobado, não é visto com entusiasmo por fashionistas locais. “Uma vez que a marca vem para cá, todo mundo compra e a roupa perde o brilho”, diz a estudante de moda Gokçe Algan, que estava com amigas na loja oficial da Mango. Para Gokçe, a cena da moda no país (em plena ascensão desde a primeira fashion week local, em 2009), vai ter que lutar contra esse ponto cego das grifes. “Lá [no Terkos Pasaji], consome-se um produto de sonho pagando só o preço do algodão”, diz.
 
Enquanto a Turquia não entra para a União Europeia e as regras de comércio não enrijecem, não há nada de ilegal em apenas checar as pechinchas do lugar. Vale lembrar que a pechincha nasceu na Turquia, com boa lábia, dá para aumentar ainda mais os descontos... 

A Terkos Pasaji fica em um cruzamento na altura do número 1.200 da rua Istiklal, em Beyoglu, Istambul, próxima à estação Taksim do metrô.

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