Moda

Samuel Cirnansck . verão 2012

Acho que as mulheres não gostam de se ver de mãos amarradas, de boca encabrestada e cobertas por véus. Essa imagem já deu muita briga e até mesmo guerras. Uma sugestão de fetiche pode ser estimulante, divertida e interessante, mas um desfile inteiro é pesado e vai ficando aflitivo – sai do fetichismo para entrar no opressivo. Uma mão mais leve teria ajudado a performance que Cirnansck inventou para sua passarela e teria deixado a moda mais evidente. Moda essa que teve coisas boas como os vestidões de festa e de casamento, que Samuel faz tão bem.

Na primeira parte, um olhar pop sobre o fetiche com ideias aproveitáveis, como o uso de um fino látex rosado, bem transparente, misturado a rendas, tules e patches de tecido colorido, sem falar no bom uso sobre um tubo estampado.

Mas foi na segunda parte que o estilista mostrou a sua especialidade: as roupas românticas – apesar das mãos atadas nas costas e das mordaças, que constrangiam as modelos. Longos de tafetá cheios de nervuras, florzinhas e drapeados formavam saias e corpetes muito bem-feitos deixando bonito e esculpido o desenho do corpo. O decote favorito de Samuel continua sendo o tomara que caia que ele desenha de muitos modos: em pontas , arredondados, em curva... Tules, rendas e todo o repertório romântico apareceram e fizeram bonito, apesar do modelão Ata-me do desfile.

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