Moda

Traffic People, marca inglesa vendida na Topshop, ingressa no mercado nacional e deixa claro: "o governo dificulta!"

Os vestidos de seda estampados e as peças fluidas e versáteis da Traffic People são conhecidos de longa data das inglesas. A marca, definida como “high street, mas com um toque de boutique” e fundada em 1999 por Mark Readman e Louise Reynolds, a princípio era vendida nos mercados de Portobello, Camden Town e Spitalfields. Hoje conta com oito lojas próprias em Londres e mais de 900 pontos de venda no Reino Unido, incluindo um cobiçado corner na flagship store da Topshop.

Com um DNA bem semelhante ao gosto das brasileiras (quem não adora usar uma roupa fresquinha para ir à praia? Ou combinar o mesmo vestido longo usado no dia-a-dia com uma sandália de festa e curtir a noite?), a etiqueta dá os primeiros passos para um investimento concreto no mercado nacional.

“Além da marca ter tudo a ver com o público, o Brasil é a bola da vez. Todo mundo está de olho no país!”, comenta Tais Lima, brasileiríssima morando na capital do Reino Unido há 11 anos, que junto com sua sócia, Letícia Guimarães, busca representantes para a marca em território tupiniquim. “Fizemos o primeiro showroom no país em maio, o Fashion Business, e fechamos onze pontos de venda. Mas temos planos de futuramente abrir lojas”.

A dupla, que começou a trabalhar na marca como vendedoras há dez anos, sentiu dificuldades para ingressar no mercado nacional. “Os impostos são muito caros, chega a 100% do valor de cada peça. E há muita burocracia! Por exemplo: para fazer o packing list, temos que pesar peça por peça de tudo o que levaremos para o país e descrever detalhadamente o modelo e tecido usado em cada item”, explica.

“Parece até que o Brasil não quer abrir o mercado para ‘gente de fora’. Além disso, foi muito difícil abrir uma empresa no país, demorei mais de seis meses - enquanto em Londres você abre em quinze minutos. No Brasil, eles tratam uma microempresa do mesmo jeito que uma multinacional, o que não tem nada a ver. É realmente um problema sério”.

O preço final das mercadorias, entretanto, parece “ser justo” para as consumidoras. “Não estamos ganhando dinheiro com o markup [ou seja, quanto do preço do produto está acima do seu custo de produção e distribuição]. Queremos ganhar no giro, ao invés de levar a novidade e ficar estocada!”, disse. Um vestido longo de onça, que custa 48 libras em Londres, chegará as lojas brasileiras com um preço final de R$ 250, em média.

“O público-alvo da Traffic People na Inglaterra é semelhante aos de lojas high street como a Next e Dorothy Perkins, mas acredito que no Brasil ele será mais sofisticado e abrangerá uma faixa etária muito grande: tanto uma adolescente como uma mulher de quarenta anos pode usar as peças e se sentir bem”, define Tais. “Queremos sentir o mercado e ver o retorno das brasileiras”.

A marca terá um espaço no próximo salão de negócios Fashion Business, realizado no Rio de Janeiro em janeiro de 2012, e planeja participar de outro na capital paulista. Desta vez, além das roupas femininas do inverno 2012, apresentará sapatos e bolsas, mais uma prévia da coleção masculina. O que esperar? Camisas de seda, vestidos longos de animal print, legging florida, coletes de lã são alguns dos high light da coleção.

Pontos de venda Traffic People no Brasil:


São Paulo: Boutiquim; Lovesut; Rouparia Montag; Gisela Pinho (Franca) e La Gentil (Ribeirao Preto)
Pernambuco: 3 meninas
Rio de Janeiro: Camaripe (Niteroi)
Santa Catarina: Casa d' Matilde
Rio Grande do Sul: HSC
Paraná: Asturias
Bahia: Villacius

Traffic People
www.trafficpeople.co.uk/

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